Um fragmento de âmbar descoberto no leste do Equador está revolucionando a compreensão das florestas tropicais da América do Sul há milhões de anos. O estudo, divulgado recentemente, detalha o depósito de âmbar mais significativo do período Cretáceo já encontrado no mundo.
Datado de aproximadamente 100 milhões de anos, o âmbar – resina de árvore fossilizada – aprisiona insetos e pedaços de plantas que viveram durante a existência do supercontinente Gondwana, que unia a América do Sul, África e outras grandes massas de terra do Hemisfério Sul.
As amostras, retiradas de rochas nos Andes equatorianos, revelam um ambiente primitivo dominado por árvores produtoras de resina, similares às araucárias modernas, que geraram o âmbar. Dentro desse material fossilizado, os cientistas identificaram pelo menos 21 inclusões biológicas, incluindo moscas, besouros, vespas, teias de aranha, além de pólen e fragmentos de plantas.
Estes vestígios indicam que a região era uma floresta tropical úmida e diversificada, com abundante água e sombra, em contraste com outros ambientes tropicais antigos, caracterizados por serem mais secos e abertos.
A descoberta preenche uma lacuna crucial no registro fóssil do Hemisfério Sul. Até agora, depósitos de âmbar com organismos preservados em tal nível eram mais comuns em regiões do norte, como Mianmar e Líbano.
Este achado na América do Sul expande o conhecimento sobre a formação das florestas tropicais de Gondwana e a evolução combinada de plantas e insetos no continente. A composição do âmbar, alterada ao longo de milhões de anos pelo contato com hidrocarbonetos nas rochas, representa um desafio para certas análises químicas.
Ainda assim, o material preserva informações valiosas sobre o clima e o ecossistema daquela época, abrindo caminho para novas escavações que podem desenterrar ainda mais espécies e detalhes sobre as florestas tropicais ancestrais.





























































