O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) intensificou a investigação sobre a união entre Petz e Cobasi, duas das maiores empresas do setor pet no país. A autarquia solicitou informações detalhadas de 218 empresas, abrangendo 92 concorrentes e 125 fornecedores.
O foco da análise do Cade está nos possíveis efeitos da fusão sobre os preços de produtos e serviços, bem como no acesso dos pequenos negócios e clínicas veterinárias aos fornecedores. A autarquia questiona o potencial de favorecimento das grandes redes em marketplaces, buscando entender se a atuação de Petz e Cobasi influencia o tráfego e as vendas de pet shops menores nas plataformas digitais e se as alterações de preços praticadas pelas grandes redes afetam os valores do varejo físico.
Em relação aos fornecedores, o órgão regulador investiga a existência de políticas de desconto exclusivas para as grandes redes, a exigência de contratos de exclusividade e a aplicação de incentivos comerciais que possam desestimular o fornecimento a pequenos pet shops. Além disso, busca esclarecimentos sobre a formação de preços diferenciada conforme o porte do comprador e as possíveis barreiras que dificultem o acesso de micro e pequenos empreendedores aos principais produtos do mercado.
A análise aprofundada ocorre após a concorrente Petlove apresentar um recurso apontando potenciais pressões sobre os fornecedores do setor. Relatos iniciais de fornecedores indicaram preocupações com práticas predatórias e cláusulas abusivas já adotadas pelas duas empresas. Associações de defesa dos animais também manifestaram preocupação, com o Instituto Caramelo lançando uma campanha alertando para o possível aumento do abandono de animais caso a fusão resulte em elevação de preços.
Uma audiência pública está agendada para o dia 17 de outubro, em Brasília, com o objetivo de reunir representantes do setor, especialistas e demais interessados para discutir os possíveis impactos da fusão no mercado.
Em nota conjunta, Cobasi e Petz informaram que estão acompanhando o processo com transparência e que o envio de questionários faz parte do trâmite natural, reforçando o compromisso do órgão com uma avaliação técnica ampla. As empresas se mostraram confiantes de que a análise demonstrará que a fusão não representa preocupação concorrencial, mas sim um avanço para o setor, com benefícios para tutores e animais de estimação. A nota alega que a empresa resultante da fusão terá menos de 10% de participação de mercado, caracterizado pela concorrência qualificada. A empresa alega que as manifestações contrárias partem de um concorrente direto, que atua de forma sistemática para questionar a legitimidade da fusão, inclusive por meio de estudos com vieses e conclusões sem respaldo técnico.





























































