O canto das cigarras, frequentemente associado à proximidade das chuvas, levanta uma questão intrigante: existe realmente uma conexão direta entre esses insetos e as precipitações? A resposta, segundo especialistas, revela uma interação complexa entre o ambiente, a fisiologia e o comportamento das cigarras.
Longe de serem “profetas da chuva”, as cigarras respondem a mudanças ambientais que, coincidentemente, precedem ou acompanham o período chuvoso. Estas alterações, como variações na umidade e temperatura, desencadeiam uma série de processos fisiológicos, culminando na transição para a fase adulta. Hormônios específicos atuam como reguladores nesse processo, preparando as cigarras para a reprodução.
Um professor de ciências biológicas do Centro Universitário de Brasília explica que o sistema nervoso das cigarras interpreta esses sinais ambientais, estimulando a mudança para a fase adulta. Portanto, não é que elas preveem a chuva, mas sim que reagem a estímulos causados pelas alterações no ambiente que precedem as precipitações.
A coincidência entre a temporada de chuvas e o período reprodutivo das cigarras não é aleatória. A abundância de recursos disponíveis durante a estação chuvosa favorece o ciclo reprodutivo desses insetos, especialmente em ambientes sazonais com variações de chuva previsíveis, como o Cerrado brasileiro. No entanto, é importante ressaltar que essa relação pode variar em diferentes regiões e biomas, dependendo das condições ambientais específicas.
Vale lembrar que nem todas as cigarras participam do famoso “concerto”. Apenas os machos cantam, utilizando seus órgãos cimbálicos para emitir sons que atraem as fêmeas para o acasalamento. Esses sons, produzidos por 11 órgãos no abdômen, podem atingir níveis impressionantes, ultrapassando os 120 decibéis, desempenhando um papel crucial na reprodução da espécie.





























































