O campo da computação neuromórfica, que busca replicar o funcionamento do cérebro humano em máquinas, tem ganhado destaque impulsionado pelo avanço tecnológico.
Pesquisadores nos Estados Unidos descobriram que o cogumelo shiitake (Lentinula edodes) pode ser utilizado como matéria-prima na produção de memristores funcionais, componentes eletrônicos essenciais para esses computadores. O estudo, conduzido na Universidade Estadual de Ohio, foi publicado na PLOS One no início de outubro.
Os memristores possuem a capacidade de armazenar uma quantidade significativamente maior de informações em comparação com os sistemas convencionais e, surpreendentemente, podem ser criados utilizando materiais biológicos. Através do uso do micélio do cogumelo, os pesquisadores desenvolveram uma tecnologia de baixo custo e com menor impacto ambiental.
De acordo com John LaRocco, principal autor do artigo, o desenvolvimento de microchips que simulam a atividade neural real pode resultar em um consumo de energia drasticamente reduzido no modo de espera ou quando a máquina não está em uso, oferecendo uma vantagem computacional e econômica considerável.
A semelhança entre as redes miceliais dos fungos e as redes neurais, que transmitem informações por meio de sinais elétricos e químicos, justifica a utilização de cogumelos no desenvolvimento de computadores que “pensam” como os humanos.
No processo de criação, amostras de cogumelos shiitake foram cultivadas até atingirem a maturidade. Em seguida, foram desidratadas e conectadas a fios elétricos especiais, sendo submetidas a diferentes voltagens e frequências.
Após um período de dois meses, os pesquisadores observaram que, quando utilizado como memória de computador, o memristor biológico conseguiu alternar entre estados elétricos a uma taxa de até 5,85 Hertz, uma velocidade considerável para um dispositivo biológico, e com uma precisão de 90%. Isso demonstra a capacidade do dispositivo de gravar dados na “memória” do computador de forma eficiente.
Embora o desempenho tenha diminuído com o aumento da frequência das voltagens elétricas, a adição de mais cogumelos ao circuito demonstrou compensar essa perda.
Qudsia Tahmina, uma das autoras do artigo, destaca que a crescente conscientização da sociedade sobre a necessidade de proteger o meio ambiente e garantir sua preservação para as futuras gerações pode impulsionar o desenvolvimento de novas ideias ecologicamente corretas como esta.





























































