A esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado, é um problema crescente caracterizado pelo acúmulo excessivo de gordura nas células hepáticas. Em seus estágios iniciais, a condição frequentemente se manifesta de forma silenciosa, sem sintomas evidentes. No entanto, à medida que progride, pode causar dores abdominais no lado superior direito, fadiga, fraqueza, perda de apetite, aumento do tamanho do fígado, inchaço abdominal, dores de cabeça frequentes e dificuldade para perder peso. As principais causas incluem obesidade, diabetes, colesterol alto e consumo excessivo de álcool.
O jejum intermitente tem ganhado destaque como uma abordagem para emagrecimento e melhoria de parâmetros metabólicos. Em relação à esteatose hepática, especialistas avaliam o potencial impacto desse padrão alimentar na redução da gordura no fígado.
O endocrinologista Ricardo Barroso, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, em São Paulo, aponta que o jejum intermitente pode ser uma estratégia válida para pacientes que se adaptam bem a ele. Mecanismos fisiológicos como a melhora da resistência à insulina, a redução de mediadores inflamatórios e o aumento do consumo de gordura pelo próprio fígado podem contribuir para a diminuição da gordura hepática. No entanto, Barroso pondera que, quando os resultados são ajustados para perdas de peso equivalentes, o jejum não demonstra ser superior às dietas convencionais.
A nutricionista Caroline Romeiro, do Conselho Federal de Nutrição, enfatiza que a melhora da gordura no fígado está principalmente ligada à perda de peso e à redução do consumo calórico ao longo do tempo. Se o jejum levar a um emagrecimento sustentável, a gordura hepática e as enzimas do fígado podem melhorar. Contudo, quando comparado a outras estratégias de restrição calórica bem conduzidas, os resultados são similares. O benefício parece estar mais relacionado ao balanço energético negativo do que ao jejum em si.
A perda de peso proporcionada pelo jejum intermitente reduz a gordura no tecido adiposo, especialmente na região abdominal, diminuindo o envio de ácidos graxos ao fígado. A melhora da resistência à insulina também desempenha um papel crucial, regulando o metabolismo da glicose e dos lipídios. Durante os períodos de jejum, o corpo tende a utilizar mais gordura como fonte de energia, o que pode contribuir para reduzir os estoques, desde que haja um déficit calórico. A organização dos horários das refeições também pode ajudar a reduzir lanches noturnos e o consumo de alimentos ultraprocessados.
Apesar dos potenciais benefícios, o jejum intermitente não é adequado para todos os pacientes com gordura no fígado. Pessoas com diabetes que usam insulina, gestantes, lactantes, adolescentes, idosos frágeis, indivíduos com baixo peso, sarcopenia ou risco de desnutrição, e aqueles com histórico de transtornos alimentares devem evitar ou utilizar a estratégia sob supervisão médica rigorosa. Em estágios avançados da doença hepática, especialmente com progressão para cirrose, o jejum pode trazer riscos, como o agravamento da sarcopenia, da desnutrição e da perda de massa muscular.





























































