Uma aranha-viúva-falsa-nobre (Steatoda nobilis) foi flagrada se alimentando de um musaranho-pigmeu (Sorex minutus), um evento inédito que surpreendeu pesquisadores. O que mais chamou a atenção foi a disparidade de tamanho e peso entre os dois animais. Enquanto a aranha mede cerca de 1,4 cm, o musaranho atinge aproximadamente 5 cm de comprimento e é dez vezes mais pesado.
A investigação, liderada pela Universidade de Galway, na Irlanda, revelou que a aranha costuma predar vertebrados maiores, como musaranhos, lagartos e morcegos, utilizando seu veneno e teia para imobilizar e capturar suas presas.
Originária da Ilha da Madeira, em Portugal, e das Ilhas Canárias, na Espanha, a espécie se espalhou pelo mundo, tornando-se invasora em diversas regiões. Apesar de possuir veneno, a viúva-falsa-nobre não representa uma ameaça significativa para os seres humanos, uma vez que não demonstra agressividade e sua toxidade não é fatal para a nossa espécie.
O Ataque Surpreendente
O flagrante do ataque ocorreu em 2022, quando uma pesquisadora testemunhou a aranha predando o musaranho do lado de fora de uma janela, na cidade de Chichester, no sul da Inglaterra. A análise dos restos mortais do animal confirmou a identificação do musaranho como a presa.
O musaranho, embora ainda vivo ao ser capturado, apresentava movimentos limitados, possivelmente devido à ação paralisante do veneno da aranha. Após envenenar a presa, a aranha utilizou sua teia para içar o mamífero a cerca de 25 cm da superfície. Vinte minutos depois, arrastou-o para seu esconderijo e se alimentou dele por três dias, descartando os restos, como pele, ossos e pelo.
“Esta observação demonstra ainda que a aranha é perfeitamente adaptada para abater presas grandes, combinando veneno potente, seda extremamente forte e comportamento de caça complexo”, afirmou Michel Dugon, zoólogo da Universidade de Galway e autor principal do estudo.
Apesar do flagrante, o mecanismo exato da captura ainda é desconhecido. Pesquisadores destacam que as chances de o evento ter sido um acidente são mínimas, e novos estudos serão necessários para elucidar o método de ataque da aranha.





























































