Uma hora de corrida representa um marco significativo para o corpo humano. Se, até esse ponto, muitos corredores conseguem manter o controle sobre o esforço, após os 60 minutos o organismo opera em um novo patamar de exigência, tanto energética quanto cardiovascular e térmica. Essa mudança exige atenção redobrada para evitar problemas e otimizar o planejamento dos treinos.
Inicialmente, o corpo utiliza o glicogênio muscular e hepático como fonte de energia primária. No entanto, após aproximadamente uma hora, essas reservas começam a se esgotar, especialmente em treinos contínuos e em ritmo moderado a forte.
Com a diminuição do glicogênio, o corpo passa a depender mais da gordura como combustível, um processo mais lento. Essa mudança metabólica está diretamente ligada ao aumento do cansaço, à redução da velocidade e à diminuição da coordenação motora, podendo levar à sensação de exaustão, quando o corredor sente que não consegue manter o ritmo.
A corrida prolongada causa microlesões nas fibras musculares, um efeito comum em treinos de resistência. No entanto, essas lesões podem ser mais intensas em pessoas sem um preparo físico adequado, aumentando o risco de dores, rigidez e lesões mais graves.
O sistema cardiovascular também é impactado. O coração trabalha de forma acelerada por um período prolongado para fornecer oxigênio aos músculos. Em ambientes quentes ou úmidos, o corpo desvia mais sangue para a pele, intensificando a transpiração e a perda de líquidos e eletrólitos. Essa condição favorece a desidratação, cãibras, dores de cabeça e, em casos mais graves, sinais de exaustão pelo calor, como náuseas, tonturas e calafrios.
A fadiga é um sinal importante. Tontura, sensação de desmaio, visão turva, confusão mental, perda de coordenação, calafrios e cãibras recorrentes exigem a redução imediata do esforço, pois aumentam o risco de quedas, desmaios e lesões musculares.
A queda brusca de desempenho, mesmo com o esforço para manter o ritmo, geralmente indica esgotamento energético e desidratação, exigindo a interrupção do treino, hidratação e, se necessário, atendimento médico.
Para correr por mais de 60 minutos com segurança, a adaptação deve ser gradual, aumentando progressivamente a duração e a intensidade. Manter um ritmo controlado desde o início, respeitar a frequência dos treinos e incluir dias de descanso e fortalecimento muscular ajudam a proteger músculos, tendões, coração e sistema nervoso.
Estratégias como hidratação fracionada, reposição de carboidratos, atenção ao clima e escuta dos sinais do corpo são essenciais para preservar energia, estabilidade cardiovascular e conforto térmico durante corridas longas.





























































