O maçarico-de-bico-fino (Numenius tenuirostris), outrora comum na Europa, norte da África e Ásia Ocidental, foi oficialmente declarado extinto. A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) fez o anúncio no dia 10, após 30 anos sem qualquer registro de avistamento da ave migratória.
A extinção do maçarico-de-bico-fino é considerada a primeira extinção global de uma espécie de ave migratória com ampla distribuição em diversos continentes. Diferentemente de extinções que normalmente afetam animais restritos a habitats menores, o desaparecimento desta espécie, outrora abundante, preocupa os pesquisadores.
O último registro confirmado do maçarico-de-bico-fino data de 25 de fevereiro de 1995, em Merja Zerga, uma lagoa de maré no Marrocos. A ave, que media aproximadamente 40 centímetros, caracterizava-se pelo bico fino e curvado para baixo, utilizado para capturar insetos e pequenos crustáceos. Apesar de extensas buscas, nenhum novo indivíduo foi encontrado desde então.
Relatos históricos indicam que as populações do maçarico-de-bico-fino sempre foram pequenas ao longo do século 20. A reprodução limitada, com ninhos construídos no chão e fêmeas botando até quatro ovos por estação, já representava um desafio para a espécie. A caça intensa, especialmente durante as rotas migratórias, contribuiu significativamente para o seu declínio. A ave era caçada em grande número no sul da Europa e vendida em mercados locais, particularmente na Itália.
A expansão da agricultura no século 20 também agravou a situação. Áreas úmidas na Sibéria Ocidental, importantes para a reprodução, foram convertidas em pastagens e campos de cultivo, eliminando habitats cruciais para a sobrevivência da espécie.
O maçarico-de-bico-fino se reproduzia nas planícies úmidas da Sibéria Ocidental, entre maio e agosto, e passava o outono e o inverno nas regiões mediterrâneas. Seu percurso migratório abrangia o Oriente Médio, a Europa Central e o norte da África.
Além do maçarico-de-bico-fino, outras espécies foram recentemente declaradas extintas, incluindo marsupiais australianos. A situação serve de alerta para a necessidade de políticas de conservação eficazes e apoio científico para proteger outras espécies ameaçadas. Estima-se que até um milhão de espécies correm risco de extinção atualmente.





























































